20 de abr. de 2013

Lagarto – 133 anos crescendo com Sergipe


Numa época em que os números não mentem, Lagarto, 3º núcleo populacional do estado, desponta na lista dos municípios que vislumbram a casa dos 100 mil habitantes.
Seu território, com uma marca que assinala 970 km², consoante aferição do IBGE, corresponde a 4,4% de Sergipe, o que o torna o 3º município em área. Neste espaço, Colônia Treze, Jenipapo, Brasília e Olhos d’Água figuram entre os maiores povoados lagartenses, estando o primeiro a aproximadamente 13 km da sede municipal.

Localizado no centro-sul do Estado, a 78 km da capital, Lagarto – 3º município mais antigo do solo sergipano -, mantém-se forte como monólito irrefragável, respeitado pelo seu passado histórico, autenticidade folclórica e arquitetura moderna, sendo, pois, passagem obrigatória para os que visitam o Nordeste.
Seu ponto culminante é a Serra dos Oiteiros (500m), embora os lagartenses privilegiem visitas à Serra da Miaba, localizada na divisa Lagarto – São Domingos.
Banhado pelos rios Vaza-Barris, Quirino, Piauí, Machado e Jacaré, entre os principais, Lagarto conta, ainda, com os riachos Oiti, Pombos, Flechas e Urubutinga. Sua altitude assinala 183 metros, a uma latitude 10º55’02″ sul e a uma longitude 37º39’00″ oeste. É também dotado de riquezas minerais, a exemplo de: argila, calcário, mármore, enxofre e pedras de revestimento. Em meio às suas áreas de preservação estão as piscinas de fontes naturais do povoado Brejo e do Balneário Bica, ressaltando-se que este último encontra-se desativado.
Um pouco da história de Lagarto é contado por sua gente e está registrado em cada ponto da cidade. Também histórico é o marco que revive os primeiros acontecimentos da colonização do município, localizado no povoado Santo Antônio.
Em Lagarto, os logradouros no centro da cidade ainda guardam o aspecto do século passado, destacando-se algumas ruas estreitas como o Calçadão da D. Pedro II e a Rua Acrísio Garcez.
Além das manifestações folclóricas e religiosas, a “Cidade Ternura” oferece aos seus visitantes e moradores atrações variadas, apresentadas nas praças de eventos do Tanque Grande, do Forródromo, no Parque Zezé Rocha, no espaço livre da Barragem Dionízio Machado ou em ginásios de esportes. Exibições folclóricas e outros festejos são também características da cidade, com destaque para a Festa da Padroeira “Nossa Senhora da Piedade” e a Exposição-Feira de Animais, realizadas no mês de setembro. Os folguedos de São João e São Pedro estão reservados, em seu calendário, para o mês de junho com quadrilhas, fogueiras, fogos de artifícios e comidas típicas, em que a maniçoba e o ginete não podem faltar. A tradição das festas natalinas também é mantida pelos seus habitantes.
Esta imagem fica localiozada em uma
fazenda particular no povoado Brejo
Lagarto não poupou generosidade aos seus filhos ao longo da história. Aníbal Freire da Fonseca, Sílvio Romero e Laudelino Freire são alguns dos lagartenses que deixaram um legado incomensurável de conhecimentos para a cultura brasileira. Uma herança que atravessa gerações e, certamente, continuará a enobrecer o acervo de nossa gente. Mas, apesar disso, alguns traços culturais perderam-se no tempo, como os cinemas, os shows de calouros promovidos nos cines Glória e Pérola, este, um dos mais suntuosos e aconchegantes de sua época. Seu interior, artisticamente decorado com pinturas de motivos egípcios, uma obra prima de Edson Ferreira, chamava a atenção dos que o visitavam. Música ambiente e o sublime “Tema de Lara” – na abertura de suas exibições -, faziam parte de sua programação diária. O “velho” Cine e Teatro Glória, de arquitetura mais singela, ousava receber os maiores artistas de sucesso nacional, a exemplo de Roberto Carlos, Ângela Maria e de inúmeras outras celebridades que pisaram seu palco. Apresentações de Alceu Monteiro, Roberto Alves, Los Guaranis e R-Som 7 eram uma constante. Felizmente, ainda nos confortam Los Guaranis, essa admirável orquestra que dignifica a nossa terra; o surgimento da Companhia de Teatro Cobras & Lagartos, o Grupo Lacertae e, mais recentemente, os espaços de Encontros Culturais do Santo Antônio e o Charles Brício, que, aos poucos, vão recebendo talentos de uma nova geração. Lagarto da Sorveteria Cristal, da Bica, da Rua da Glória, do Rosendo Palace Hotel, do Colégio Salete, do Tanque Grande, da Panificação e Pastelaria Doce Lar, do Educandário Dom Frei Vital… De homens públicos, amantes de sua terra, a exemplo de João Almeida Rocha, José Vieira Filho, Dionízio Machado, Acrízio Garcez, Nelson Ferreira, Ursulino Loiola, Cláudio Monteiro, Luiz Antônio Barreto e mais personalidades que a história se encarregará de perpetuar.
Lagarto cresceu, evoluiu, deixou para trás alguns valores, mas mantém aceso o orgulho de sua gente plácida e trabalhadora, inspirado em sua história, um particular que a torna dessemelhante de muitas outras cidades. Lagarto da Zabumba de Terreno, dos Cangaceiros de Zé Padeiro, da Encomendação das Almas de Maninho de Zilá, do Rei Momo de Antônio de Sinhô, das narrativas de Adalberto Fonseca e Onofre Santos, hoje a acompanhar a modernidade, o progresso, o mundo da tecnologia e da comunicação, com a participação de outros filhos de uma nova época.
Cidade simples, de gente amistosa, Lagarto caracteriza-se pelo  acolhimento e serenidade que oferece aos seus visitantes. O seu primeiro núcleo populacional foi o Santo Antônio, onde se encontra o marco histórico que revive os primeiros acontecimentos da colonização do município.
Segundo historiadores, a existência de uma pedra em forma de lacertílio é uma das versões que conduzem ao nome da municipalidade.
O seu progresso reflete o desenvolvimento do município, hoje possuidor de grandes empresas, emissoras de rádio, instituições de ensino superior, e de uma quantidade de veículos e pessoas em movimento no trânsito, o que traduz a pujança da sua gente.

*Rusel Barroso é escritor e pesquisador lagartense
Fontes: Lagartonet / Cinform
Fotos colocadas como ilustração Folha de Lagarto

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