6 de dez. de 2012

O País lamenta a morte do arquiteto Oscar Niemeyer


Niemeyer teve uma infecção respiratória e morreu na noite de ontem (5), aos 104 anos, no Hospital Samaritano, em Botafogo, zona sul da capital. Ele estava internado desde o dia 2 de novembro, vítima de complicações renais e desidratação.
“Cheguei lá em 1958. Ninguém acreditava que aquilo fosse ficar pronto, mas ficou. Essa foi a minha melhor experiência profissional. Depois fomos ficando velhos e nos tornamos amigos. Ele [Niemeyer] queria justiça para o mundo e trabalhava de manhã até a noite.” "Foi o período em que eu mais aprendi profissionalmente. Minha formação de arquiteto se deve a isso. Ajudou a construir minha carreira e minha formação", completou Ítalo. O colega Jaime Zettel, que também fez parte do grupo dos 16, ressaltou a eficiência de Niemeyer com Lúcio Costa. "Esse período em Brasília foi inspirador. O Niemeyer e o Lúcio chefiavam o grupo com maestria. Ninguém acreditava que o projeto ficaria pronto, mas com eles à frente não tinha como não dar certo", disse Zettel. Campofiorito também falou sobre o lado humano do carioca: "Ele era do tipo que ajudava garoto de rua, amigo que ficou pobre, e sempre oferecia oportunidades de trabalho para os companheiros. Várias vezes ele me ofereceu [trabalho]". Importância para a arquitetura O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro, Sidnei Menezes, destacou a importância do arquiteto para a categoria. "Ele foi essencial para a criação do Conselho Nacional de Arquitetura e Urbanismo em 2010, no último dia do governo Lula, em 30 de dezembro. Foi aprovado depois de 50 anos de reivindicação da categoria. O Oscar escreveu cartas de próprio punho e as enviou para vereadores e deputados, pedindo humildemente para que o conselho fosse criado", contou.
Oscar Niemeyer (à esq.) com o presidente
Juscelino Kubitschek, em 1959
"Essas são as características que marcam e vão ficar na memória de todos: a simplicidade e a humildade. São as características que só cabem aos gênios. O Oscar era único, uma daquelas pessoas geniais que vem de tempos em tempos", completou Menezes.
Quando perguntado se existe um substituto para Oscar Niemeyer, Menezes disse: "Talvez no próximo século. Vamos aguardar". Já o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU-BR), Haroldo Pinheiro, disse que, muito preocupado com as questões da sociedade e da política brasileira, Niemeyer colocava a arquitetura como uma questão secundária. "Era uma coisa que ele fazia porque gostava, mas não atribuía tanta importância ao próprio trabalho. Achava que mais importante é o trabalho de quem luta por melhores condições de vida da sociedade", afirmou. Segundo Pinheiro, Niemeyer era um homem muito "humilde e simples", dono de um ânimo juvenil nas questões relacionadas ao seu trabalho. "Ele olhava para seu último trabalho – que eu nem sei qual foi, porque deixou tantos trabalhos iniciados – como se fosse um arquiteto recém-formado que faria seu primeiro projeto", disse. Pinheiro esteve com Niemeyer há poucos dias, no Rio, e constatou que “incansável”, ele continuava trabalhando. "Era comum, no hospital, reclamar que precisava sair porque seus projetos estavam atrasando. Ele estava entusiasmado fazendo alguns em outros países, como a Argélia. Era muito requisitado, mas tanto fazia ser uma residência, palácios ou museus. O entusiasmo era o mesmo", contou, acrescentando que sempre saía "rejuvenescido" dos encontros com o gênio da arquitetura brasileira. O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Distrito Federal publicou uma nota na noite desta quarta-feira (6), lamentando a morte do arquiteto. "O órgão lamenta profundamente essa perda irreparável para a família, amigos e profissionais que estimavam a sua genialidade", disse o presidente do conselho, Alberto de Faria, que afirmou que a Arquitetura e o Urbanismo do Brasil perderam "o seu mais ilustre e inspirador representante, que projetou o país no mundo." A Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas também manifestou profundo pesar. "Autor dos mais emblemáticos projetos arquitetônicos do Brasil ao longo do século 20, Niemeyer fez de seu traçado modernista um símbolo nacional ao planejar a construção de uma nova capital federal, Brasília, durante o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961)", disse o órgão em nota. A contribuição de sua obra para a formação da identidade brasileira, segundo a federação, permitirá com que Niemeyer seja sempre lembrado pelas gerações seguintes como um marco na história da Arquitetura e Urbanismo. O presidente do Crea-RJ (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro), Agostinho Guerreiro, declarou que Niemeyer sempre será uma inesgotável fonte de inspiração. "Niemeyer sempre foi um grande amigo dos engenheiros e incentivava a constante parceria desses profissionais com os arquitetos. Desse carinho, nasceu o Prêmio Oscar Niemeyer de Trabalhos Científicos e Tecnológicos, que está na segunda edição em 2012", afirmou Guerreiro. Este é um projeto voltado especialmente para a juventude, com o objetivo de estimular a produção competente de projetos de conclusão de curso por formandos dos níveis superior, graduação tecnológica, técnico, mestrado e doutorado, das áreas de engenharia, agronomia, geologia, geografia e neteorologia. Este prêmio era um motivo de orgulho para Niemeyer, pois ele acreditava na importância do incentivo aos jovens." Ele ainda destacou que o nome do prédio que abriga o Crea-RJ, no centro do Rio de Janeiro, tem o nome do arquiteto, referência para os profissionais da entidade.

Oscar Niemeyer (à esq.) com o presidente Juscelino Kubitschek, em 1959




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