10 de mai de 2012

Número vítimas de acidentes com motos atendidas no Hospital Regional de Lagarto cresceu 52% em abril


“Quando percebi que ia ocorrer o choque, só houve tempo de levantar a perna. Felizmente usava capacete mas estava descalço na hora do acidente”. O depoimento é do autônomo Ednaldo Gonçalves Sobrinho, de 23 anos. Natural de Paripiranga (BA), ele fez o relato do acidente que sofreu no último dia 1º, numa das avenidas daquela cidade baiana, enquanto aguardava na última terça-feira, 8, o atendimento de um ortopedista no Hospital Regional ‘Monsenhor João Batista de Carvalho Daltro”, unidade gerenciada pela Fundação Hospitalar de Saúde (FHS) em Lagarto, município da região Centro Sul de Sergipe. 

 
O autônomo, que além de escoriações leves pelo corpo sofreu uma fratura na perna direita, é uma de centenas de pessoas que diariamente têm engrossado um ranking nada positivo: o de vítimas da violência no trânsito, em especial de acidentes envolvendo motos e motonetas. De acordo com relatórios gerenciais do HRL, somente nos primeiros quatro meses do ano, o Hospital Regional de Lagarto atendeu a 824 pacientes vítimas de acidentes envolvendo esse tipo de veículos, enquanto os automobilísticos envolveram apenas 78 usuários no mesmo período.
Os dados da unidade hospitalar mostram ainda que essas estatísticas vêm crescendo de forma frequente e de forma assustadora, a cada mês. Em abril deste ano, o número de pacientes vítimas de acidentes envolvendo motocicletas e motonetas chegou a 266, representando um aumento de 52,87% se comparado a janeiro de 2012, quando o HRL atendeu a 174 usuários envolvidos nesse tipo de ocorrência.   
Samu 192
Os números do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192 Sergipe) também registram o mesmo tipo de crescimento. “Em relação a esse tipo de acidente, o número de ocorrências registrado pelo Samu nesses quatro meses de 2012 já é quase o total verificado em todo o primeiro semestre de 2011”, afirma superintendente do Serviço, Leonardo Coelho. Segundo ele, somente de janeiro a abril de 2012, o número de acidentes envolvendo motocicletas e motonetas, seja por quedas, colisões e atropelamentos já chega a 2. 994, contra 3.401 registrados em todo o primeiro semestre do ano passado.
A falta do uso de itens básicos de segurança e outros fatores, como alcoolismo, têm sido, no interior do Estado, determinantes para óbitos e sequelas muitas vezes irreversíveis entre as vítimas de acidentes com motos e motonetas. “Geralmente, esses acidentes causam fraturas de membros e traumatismo craniano. Entre as fraturas, as mais comuns atingem as pernas e os braços”, salienta o superintendente do Samu. “As colisões com motos, por mais simples que sejam, sempre fazem vítima com fratura de membros”, reforça.
De acordo com Leonardo Coelho, o aumento do número desse tipo de ocorrência tem atingido principalmente pacientes jovens, com média de idade entre 16 e 25 anos, e em municípios como Lagarto, grande parte é despreparada para o trânsito. “No interior é um absurdo. Muitos sequer têm habilitação e não usa equipamentos essenciais como o capacete”, justifica. “Além disso, hoje há muitas facilidades para o financiamento na compra desse tipo de veículos”, afirma.
Médico emergencista do Samu 192 Sergipe, o ortopedista Fábio Mendes Fernandes, superintendente do Hospital Regional de Lagarto, também faz essa constatação no dia-a-dia. “Nós temos registrado um aumento considerável dos traumatismos cranianos, pela falta ou o uso inadequado do capacete”, atesta. “Quando a pessoa não faz uso desse e de outros itens de proteção, como bota, calça e jaqueta, tem-se um aumento e agravamento das escoriações e das lesões, principalmente nos pés, pela falta de caçados fechados”, salienta.
Aumento da frota
O aumento do número de vítimas de acidentes envolvendo motocicletas e motonetas guarda relação direta com o crescimento da frota desses veículos. E em Lagarto, assim como em todo o país, esse panorama não é diferente. Nos últimos cinco anos, a frota de motocicletas e motonetas em Lagarto mais que dobrou. De acordo com dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), enquanto em janeiro de 2007 o município possuía uma frota de 5.460 motos, no mesmo mês deste ano esse número pulou para 11.851, um aumento da ordem de 117%. Em relação às motonetas, esse crescimento foi ainda maior, passando de 1.309 em janeiro de 2007 para 3.341 no mesmo mês deste ano, o que representou um acréscimo nessa frota de aproximadamente 155%.

Por: Tito Lívio de Santana - Ascom FHS/HRL
Fotos Bruno César e Ascom/HRL


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