11 de dez de 2011

CONSUMO EXAGERADO DE ALIMENTOS COM AGROTÓXICOS PODE CAUSAR DOENÇAS GRAVES


Mesmo sabendo que alguns alimentos são cultivados com agrotóxicos, nem sempre é possível deixar de consumi-los. Os motivos são simples e essenciais: eles estão muito mais disponíveis em feiras e supermercados e são bem mais baratos do que os orgânicos.
Depois da divulgação do ranking da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que mostra os alimentos com maior número de amostras contaminadas por agrotóxicos, fica a dúvida se a ingestão das frutas, verduras e legumes listados pode trazer problemas de saúde. A resposta divide opiniões.
De acordo com Frederico Peres, autor do livro “É veneno ou é remédio? – agrotóxicos, saúde e ambiente”, da editora Fiocruz, “ainda existe muita incerteza sobre o real impacto à saúde humana decorrente da ingestão de alimentos com resíduos de agrotóxicos.”
Câncer e diminuição da fertilidade
Mas, segundo o pesquisador do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana, da Fiocruz, pesquisas já mostram a possibilidade de alterações na função de hormônios da tireoide, antecipação da primeira menstruação, diminuição da fertilidade masculina e desenvolvimento de alguns tipos de câncer.
- Há evidências que resíduos de alguns agrotóxicos podem estar associados a alterações no sistema endócrino, problemas no desenvolvimento do sistema nervoso e, mesmo, a alguns tipos câncer. Essas evidências vêm sendo confirmadas a cada ano, a cada novo estudo, e esse é, certamente, um tópico que precisa estar nas pautas das políticas de saúde pública no país.
O diretor da Anvisa, Agenor Álvares, citou os mesmos riscos no dia da divulgação do relatório.
Os “vilões” do ranking da Anvisa são: Pimentão (mais de 90% das amostras com problemas), o morango (63%) e o pepino (58%). Seguidos da alface e da cenoura (53% e 50%). Entre os vegetais mais comuns na mesa do brasileiro, a batata saiu ilesa, com todas as amostras dentro dos padrões estipulados pela agência reguladora.
Uma das formas de diminuir o risco é lavar bens os vegetais e descascá-los antes de comer, alerta Peres.
Vale ressaltar que as dicas acima não eliminam totalmente o agrotóxico. Se o pesticida foi usado logo no plantio, tende a ficar dentro dos frutos. Mas a lavagem ajuda a diminuir a quantidade presente no organismo, segundo o pesquisador da Fiocruz.
Não precisa deixar de comer
A ressalva não significa que os alimentos da lista devam ser evitados na mesa dos brasileiros, explica Peres.
- Não creio que nenhum alimento deva ser retirado da dieta do brasileiro, uma das mais ricas de que temos notícia. O que precisamos é de uma ‘cadeia de confiança’, em que o consumidor dê preferência a comerciantes que garantam a procedência de seus produtos, os comerciantes possam pressionar seus fornecedores para que atendam às demandas de seus consumidores, os fornecedores possam exigir do produtor rural alimentos mais saudáveis.
Mas, para o toxicologista Sérgio Graff, da Unifesp, não adianta transferir a responsabilidade de fiscalização para o consumidor.
- É excelente esse tipo de trabalho, mas acho que a interpretação do resultado está ruim. O que está sendo divulgado cria pânico.
Para Graff seria mais útil a criação de um selo de qualidade dos alimentos.
- Como consumidor, me interessa saber onde está os 10%, 20%, 30% [dos alimentos] que não estão contaminados. Como se faz isso? Dá um selo de qualidade para aquele que cumpriu a lei. O que não existe.
Para o toxicologista Flavio Zambrone, presidente do Instituto Brasileiro de Toxicologia, também há exagero nos alertas. Em 30 anos de trabalho na toxicologia, o médico diz que “nunca viu nenhum problema sério por causa de resíduo de pesticidas em alimentos”.
- Você tem diversos fornecedores e o que a Anvisa coloca não é uma coisa que você vê em todos eles e em todos os produtos. Outra coisa é que você come uma variedade de substâncias. Não come pimentão no almoço e na janta todos os dias.
Zambrone explica que “quando você estabelece limite de resíduos leva em consideração um fator de segurança de no mínimo cem vezes menor do que a base que se tem no laboratório. Teria quer ter resíduos extremamente altos para ter preocupação com dano imediato à saúde”.
Essa conta é feita a partir da divisão de miligramas por quilo que podem ser consumidas diariamente ao longo da vida. Como essas quantidades são testadas em animais, dilui-se a dosagem em cem vezes menos para considerar o risco no ser humano, geralmente mais sensível às dosagens.
A Anvisa afirma que “realiza este estudo há dez anos e divulga todos os resultados porque é uma análise custeada com recursos públicos cujo objetivo é melhorar a qualidade sanitária dos alimentos consumidos pela população brasileira e o aprimoramento das práticas agrícolas que envolvem o emprego dos agrotóxicos”.   Por
Camila Neumam do R7

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